Consegui minha faixa preta. E agora?

Às 3:30h do sábado eu já estava de pé. A viagem seria longa e confesso, o friozinho na barriga já estava por dar as caras. As 4:10h já estávamos partindo pensando em chegar cedo por lá.

O exame de graduação pela Federação Paulista de Judô foi realizado em Mauá – SP e foi um evento enorme e muito bonito. Teve recorde de candidatos este ano com 14 áreas trabalhando sem parar para realizar todos os exames de Shodan a Godan. Mesmo assim, o mega dojô quase ficou pequeno quando entraram todos os candidatos e seus ukês:

Créditos da Imagem: Everton Monteiro - Boletim Osotogari
Créditos da Imagem: Everton Monteiro – Boletim Osotogari

Aqui nós somos chamados para as bancas por ordem alfabética e de acordo com isso recebemos um número de identificação. Não fiz meu exame sozinho, meu amigo Deivison também fez seu exame e ele tinha o número 57 e o meu era 167. Ou seja, o dele seria primeiro e haveria uma boa espera até me chamarem. Ser ukê antes de ser avaliado no dia me deixou mais calmo, quebrou bastante a tensão. Consegui cair bem e fazer um bom exame para meu parceiro. Algumas horas depois quando chegou minha vez com certeza estava muito mais tranquilo.

Meu exame não foi muito fácil, mas não posso reclamar pois consegui fazê-lo bem e não cheguei a dar branco na hora. Foram pedidas 10 técnicas do Gokyo, 6 renraku-henka-waza, 6 kaeshi-waza e 6 katame-waza. Entre essas acho que mais difíceis foram alguns makikomis.

Resumindo, a cerimônia foi ótima. Bastante cansativa pois atrasou devido ao número de candidatos, mas nada que conseguisse estragar o momento de finalmente poder amarrar o wagui com a faixa preta. Digo finalmente porque por motivos de trabalho, levei longos 6 anos usando a faixa marrom.

No fim de semana teve festa, muitas fotos, muitas parabenizações que agradeço muito. Agora que a euforia passou e chegou a hora de vestir minha faixa e entrar no dojô em um treino comum como qualquer outro… é hora de parar e refletir…  O que realmente significa portar uma faixa preta?

É preciso considerar, pois superficialmente, a única coisa que muda é a cor da faixa. Não aprendi nada instantaneamente ao amarrá-la na cintura. Nem de repente agora consigo lutar bem pra caramba e jogar todo mundo. Acredito eu que essa é a parte física e palpável de uma Obi. Nesse conceito, ela serve apenas para fechar seu wagui e nada mais.

Porém, existe uma parte dela que não é física, não se pode tocar. Não só para a faixa preta mas em qualquer graduação. Essa é a parte em que sua Obi carrega todos os seus valores como judoca… Ela entra com você no dojô e traz admiração e respeito daqueles que são menos graduados.  Por isso gosto tanto das minhas Obis, especialmente esta que foi minha parceira de tantos anos:

Vitórias, derrotas e experiência adquiridas com ela na cintura.
Vitórias, derrotas e muitas experiências adquiridas com ela na cintura.

Voltando ao assunto, no conceito em que a faixa é vista não como objeto, mas como algo de valor… a responsabilidade e a consciência precisam estar amadurecidas. Muito mais quando a faixa que irá portar é da cor preta. É preciso lembrar-se sempre de que ainda há muito judô pela frente pra se aprender… muito mesmo. Aliás, agora é que começou. Mais importante, é preciso lembrar-se de que agora somos chamados de senseis e isso tem um impacto muito grande no judô de muita gente dentro de nosso tatame, principalmente das crianças. Tudo o que fizermos será observado de perto por elas e isso é bom, pois podemos influenciá-las muito positivamente. Mas caso não tomemos cuidado com nossas atitudes, não só como judocas, mas como pessoas (não se esqueça que crianças também nos observam fora dos tatames), corremos o sério risco de fazer o contrário.

Parabenizo a todos os novos shodans, não só pela FPJ como de todas as outras federações ou ligas que já fizeram suas graduações e humildemente convido-os a essa reflexão. É apenas um pequeno passo na nossa vida judoística mas que representa um grande poder para espalhar boas influências e divulgar tudo o que o judô tem de melhor. E pra finalizar, como diria o tio do Peter Parker:

“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.”

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Comentários

8 thoughts on “Consegui minha faixa preta. E agora?

  1. É amigao, estava lá também é peguei uma área rigorosa. Eu era o 138 e minha uke 101. Caí pra ela e 40 minutos depois fui chamado. A tensão veio quando na entrega das faixas não chamaram uma mulher que estava na minha frente. Quando ela foi ver o que aconteceu soube que tinha sido reprovada, e não chamaram ela na mesa de controle antes. Aí um misto de tristeza por ela e apreensão tomaram conta de mim. Enfim, depois de muitos João e Joaquim fui chamado. Assim que peguei a faixa não deu pra evitar as lágrimas que caíam sem parar. Na foto oficial da FPJ sou o único com cara de choro kkk. Choro esse de alegria e orgulho depois de 15 anos de caminhada. Parabéns a nós e vamos manter vivo o ideal do professor Jigoro Kano.

    1. Joelmir, obrigado pelo comentário! Cara que pena isso que aconteceu com a moça, imagino como deve ter sido frustrante. Bom, sobre a emoção que sentiu, haha, eu me segurei muito pra não chorar também.
      Mas é isso aí, vamos na caminhada que está só começando!
      Abraços!

  2. Parabéns pela conquista, mas como você mesmo colocou no texto, ao vestir uma faixa preta não quer dizer que você se tornou um sensei. Para tanto é necessário muitos anos de faixa preta….

    1. Muito obrigado pelo comentário sensei Caio. Sim, concordo, de princípio apenas a cor da faixa é que muda e não adquirimos conhecimento automaticamente. Por isso a busca pelo bom judô é incessante.

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