Como ser um bom ukê – Parte II

Quando escrevi o último artigo sobre como ser um bom ukê (se ainda não leu, clique aqui e passe lá), foquei-me em destacar pontos mais teóricos sobre como o ukê é uma parte importantíssima no aprendizado das técnicas e falei de algumas dicas para preparar as melhores condições para o aprendizado do tori.

Complementando então este post anterior, estou escrevendo este artigo visando ser mais prático do que teórico, destacando aqui mais alguns pontos chave sobre o que fazer e o que não fazer para que você se torne um ukê formidável, ou pelo menos de início, um ukê que não torne o treino mais difícil para um tori. 🙂

Não faça jigotai

Jigotai é uma postura defensiva comumente usada no judô e no sumô. É quando você se abaixa flexionando os joelhos mantendo as pernas afastadas e a coluna ereta. Assim:

shisei_jigotai

Quando você se firma em jigotai, seu centro de gravidade baixa e fica muito mais difícil de te jogar, mesmo que a técnica esteja sendo executada corretamente. Muitos alunos iniciantes fazem a postura de jigotai sem perceber que estão fazendo, simplesmente por um pouco de medo de cair. O jigotai é uma defesa natural, mas neste caso é uma defesa proveniente do medo.

O tori começa a fazer a entrada do Ogoshi ou Seoi Nage, e o ukê com receio, baixa um pouco o centro de gravidade dificultando e muito a execução perfeita da técnica. Daí o ukê que já tinha medo de cair, cai errado e acaba ficando com mais medo.

Portanto, quando estiver treinando uchikomis, tente perceber se não está se abaixando em jigotai. Mantenha a postura e a firmeza, mas não se abaixe, é bem pior pois a queda acaba saindo mal feita e travada.

Não seja um saco de batatas

Outro erro comum é deixar-se dobrar durante a técnica. É claro que de certo modo, manter a postura também depende de uma boa execução do tori, mas vê-se muitos ukês iniciantes se dobrando em uchikomis, o que torna as coisas tão difíceis para o tori quanto o jigotai acima mencionado.

postura-UKE

Quando você se deixa dobrar, o tori tem a sensação de levantar um saco de batatas meio vazio. O peso fica todo mal distribuído e o encaixe muitas vezes não acontece porque quando se dobra cria-se um espaço entre os dois.
O kata guruma é uma técnica em que é possível perceber mais facilmente o quanto pode pesar uma pessoa que não está plenamente firme enquanto recebe a execução. Sendo tori, fica difícil levantar uma pessoa até mais leve que você caso ela se deixe dobrar sobre suas costas. Mas quando se mantém firme, é possível levantar ukês bem mais pesados.

kata_guruma

Não dê um passo para fora

Há também uma outra maneira bem inconveniente de atrapalhar o desenvolvimento de uma técnica. Quase todos os uchikomis que treinamos estaticamente, são praticados com os pés do ukê em paralelo, afastados na largura dos ombros. Quando, durante a execução, o ukê move um dos pés e perde esse paralelismo, a técnica dificilmente sairá perfeita. Na imagem abaixo, destacamos a posição dos pés de tori e ukê na entrada de um Seoi Nage como exemplo:

pes

Segue um exemplo prático de como fica, dessa vez com uchimata:

via GIPHY

No GIF acima vemos que um pequeno passo com o pé direito do ukê atrapalhou toda a execução. Muitos alunos iniciantes não percebem o erro e continuam treinando assim por muito tempo, isso no longo prazo dificulta o aprendizado correto.

Conclusão

Quanto melhor ukê você for, melhores serão seus parceiros de treino.

Quanto melhores forem seus parceiros, melhor você será.

Isto é Jitá Kyioei. Princípio do bem estar e benefícios mútuos. Um dos pilares do Caminho Suave.

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