O judô serve para defesa pessoal?

Eu acho que todo judoca que treina há algum tempo, já passou pela inconveniente situação – em churrasco de família acontece muito – de ser importunado por aquele parente chato com coisas do tipo “Ei, você faz judô? Então como você se defende se eu fizer isso e isso pra cima de você?!” ou, “Judô é aquela luta de agarrar né? Coisa de boiola.”

A realidade é que, muita gente duvida da eficiência do judô como ferramenta de defesa pessoal. Acredito eu que boa parte dessa desconfiança se deve principalmente à influência dos filmes de artes marciais dos anos 70 em diante, que explodiram por aqui com títulos do Bruce Lee. É fato que as lutas de Kung Fu, Karatê e diversos estilos que utilizam socos e chutes são muito mais bonitas na frente das câmeras. As coreografias baseadas nestas artes ficam muito mais agradáveis de se ver e com certeza dão um tom a mais de ação às cenas. Aconteceu que com isso, ficou no imaginário popular que, uma luta corpo a corpo só pode ter um fim se for com socos e chutes.

No vídeo abaixo vemos alguns exemplos de filmes que exibem algumas técnicas de judô e jiujitsu, coisa rara de se ver em filmes da época:

Steven Seagal também foi um cara que emplacou usando mais técnicas de arremessos e esquivas do Aikidô.
Hahaha eu gostava dos filmes dele… Sempre tinha uma cena que ele tava de boa no bar, daí alguém ou alguma gangue implicava com ele, e ele descia o sarrafo em todo mundo. 😂😂😂😂

Voltando ao assunto:

Precisamos levar em conta que, o judô não tem como objetivo preparar um combatente de rua, mas sim preparar um cidadão para a vida. Porém, não se pode esquecer que a marcialidade ainda existe nele. Todo bom judoca deve estar física e mentalmente preparado para se defender de um agressor.

O que faz muitos perderem tempo na discussão sobre qual técnica é a definitiva para defesa pessoal, é esquecerem-se de que um combate real será absolutamente mais imprevisível do que qualquer combate em competições ou academias. Possivelmente na rua, contra um agressor desconhecido, não haverá tempo de definir estratégias ou de pensar em qualquer coisa. Não haverá trocação de socos e chutes coreografada. Aliás, a situação pode ser tão adversa que pouco importa qual arte marcial é mais eficiente.. mas sim o quanto você pode ser eficiente com o que sabe.

Apesar de não conhecer profundamente todas as artes marciais, posso afirmar com alguma propriedade que o judô (bem como também algumas artes baseadas no “grappling“) possui muitas vantagens em ser utilizado como defesa pessoal.

Toda situação de combate real, tende a ter um contato mais próximo do que vemos em simulações ou em lutas regradas. Como quase sempre um dos oponentes não tem qualquer conhecimento marcial, uma briga de rua sempre tende a terminar em agarra-agarra. E é nessa hora que técnicas de grappling se sobressaem ante as técnicas de socos e chutes. Desferir um soco capaz de nocautear alguém requer muita força e habilidade. Parece que não, mas o rosto humano tem ossos muito duros.. mais duros do que os de uma mão. É perfeitamente possível se quebrar tentando socar alguém, principalmente se for alguém maior.

Pelo amor de Deus, antes de me criticarem, me entendam que não quero dizer que artes marciais que utilizam socos e chutes não funcionam. Apenas destaco que quando o combate se torna um agarra-agarra, as técnicas de projeção ou de solo são mais eficientes.

Por forte e grande que seja o oponente, seu pescoço é frágil, bem como suas articulações. Explorar estes pontos fracos utilizando alavancas, chaves e gravatas são formas de se bater um agressor maior utilizando menos força.

Eu acho que aqui não me convém colocar vídeos de mulheres imobilizando ladrões e valentões se dando mal, mas há inúmeros deles no Youtube; situações reais de defesa pessoal, onde técnicas de judô e jiujitsu resolvem a parada.

A eficiência do judô na defesa pessoal é indiscutível, mas como mencionei anteriormente, o que entra em questão não é a eficiência da arte, pois esse é um conceito abstrato, a questão é o quão eficiente você consegue ser com o que tem… com o que aprendeu.

Antes de finalizar, deixo bem claro que a defesa só é legítima quando se está sendo atacado deliberadamente por alguém que quer lhe causar danos físicos. E mais, a defesa tem que ser proporcional a todo o contexto; você não quebra o braço de alguém por que esbarrou em você na fila do ônibus e te olhou de cara feia.

Também ressalto que não se deve sair por aí reagindo a assaltos contra bandidos armados. Você pode ser o melhor, o mais forte, mas não é de aço, não arrisque sua vida!

Enfim, procure treinar sua arte para aperfeiçoamento do corpo e da mente, se em última instância for necessário utilizá-la, use-a com sabedoria. Pensar desse jeito é a essência do que diferencia a Arte Marcial de um monte de formas de bater em pessoas. A Arte possui valores, possui ética. Tenha isso em mente e você dificilmente terá que fazer uso dela fora de um dojô. 😉

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