O que preciso saber antes de matricular meu filho em um esporte?

Os pais que navegam na web se perguntando “qual o melhor esporte para crianças?” e acabam caindo em um blog cujo nome é O Judoca, logo esperam que eu fale aqui apenas sobre “como o judô é o melhor esporte para seu filho”. Porém, não é esse o rumo que esse artigo vai tomar, fique tranquilo.

É claro que ao longo do texto posso traçar paralelos com o judô pois é o esporte que eu cresci praticando e de onde hoje tiro meu sustento. Mas o principal intuito é discorrer sobre alguns pontos importantes a considerar antes de matricular seu filho em qualquer atividade que seja. Sem mais, vamos lá!

Porque meu filho tem que praticar um esporte?

Por mais básica que pareça a pergunta existem inúmeras respostas pra ela e respondê-la corretamente é um ponto importante para definir um esporte adequado para seu filho praticar. Talvez a criança tenha que praticar algo por indicação médica; para perder peso… ou porque está muito vidrada no celular; ou talvez porque o pai um dia praticou e quer que o filho pratique também.

Pra ser sincero, eu chuto que pelo menos uns 50% dos pais que me procuram para matricular o filho no judô chegam dizendo: “Vamos colocar ele aqui pra se mexer um pouco e tirar ele do celular/computador!”

Colocar a criança num esporte apenas pra tirá-la da frente do computador, nem sempre traz o resultado almejado sem a devida disciplina também dentro de casa. Colocar a criança num esporte apenas para encher a agenda de atividades dela pode acarretar em uma sobrecarga emocional. Saiba que você não vai apenas inscrever seu filho e esquecer, você vai ter que tratar de acompanhar para começar a enxergar os benefícios.

Como anda a saúde da criança?

Antes de começar a escolher é bom certificar-se da saúde da criança com um médico. Asma, bronquite, diabetes são algumas complicações clínicas que requerem certo cuidado na escolha da melhor atividade.

Em casos de complicações pré existentes é imprescindível a orientação do pediatra sobre qual atividade praticar.

Dica: Se seu filho tem necessidades especiais, além dos cuidados médicos também é preciso saber se o local onde ele fará as atividades tem estrutura e profissionais que atendam a essas necessidades.

É adequado para a faixa etária do meu filho?

São poucos os esportes que tem restrições por idade. As artes marciais geralmente têm algumas restrições para crianças abaixo de 5 ou 6 anos. Como professor de judô posso dizer que dos 3 até os 5 anos é um pouco mais difícil ensinar o judô propriamente dito, geralmente as aulas são compostas de brincadeiras alusivas ao judô.
Quem já trabalhou com crianças nessa faixa sabe o quanto é difícil mantê-los entretidos por mais do que 30 minutos. Então caso você pai, encontre algum professor que não receba seu filho menor de 5 anos para dar aulas, entenda que nem sempre é má vontade. É claro que é bom fazer um teste para checar a adaptação, mas se  a criança reluta em seguir regras e a disciplina necessária na atividade, é sensato dispensá-la até que amadureça um pouco mais, para sua própria segurança.

Até os 5 anos, os pequenos se dão bem com natação, ginástica e atletismo. Esportes de grupos com regras e atividades organizadas geralmente são mais difíceis nesta etapa.

Lembre-se que as crianças não são iguais por isso uma ou duas aulas de “teste” valem a pena. Já tive alunos de 3 anos que assistiam 15 minutos de explicações sobre como fazer um golpe. Já tive alunos de 4 anos que não conseguem parar quietos sentados por 5 minutos.
É certo que a presença do pai na aula pode desconcentrar um pouco o pequeno, mas desconfie muito se o local não permitir que os pais assistam as aulas pelo menos eventualmente.

O professor é competente na área?

Antes de realmente começar a treinar não custa saber se o professor que vai ministrar as aulas tem a qualificação adequada. Se ele é professor de Educação Física ele precisa de um diploma, ou pelo menos, estar cursando, correto? Se ele é faixa preta de qualquer arte marcial ele precisa ter uma certificação de uma entidade e frequentemente ser autorizado a ministrar aulas. Os exemplos seguem..
Mas quando digo qualificação, não falo apenas de diploma. Tratando-se de crianças é preciso saber se o professor tem experiência, se é cuidadoso quanto à segurança, se é paciente, etc.

E aqui coloco um aviso importantíssimo:

Fuja do professor extremamente competitivo! Esse tipo de profissional é aquele que quer formar campeões acima de tudo. Ele valoriza demais os resultados ao invés do esforço; ele insiste que seu filho é um prodígio e tem que treinar o dobro de vezes na semana pra ganhar tal campeonato, mesmo seu filho tendo apenas 3 meses de treino; ele também dá mais atenção aos alunos melhores competidores do que os outros.
Entenda que formar campeões não é o problema e isso é uma tarefa que começa cedo, mas tem que começar da forma certa, sem pressão e sem sobrecarga física. Há hoje muitos casos de crianças abaixo de 10 anos sendo profissionalizadas precocemente em várias modalidades esportivas a fim de atingir alto desempenho. Isso prejudica e muito o desenvolvimento da criança e pode trazer sérias complicações que dariam tema pra um outro post.

A competição faz parte da maioria dos esportes e ela é saudável desde que não coloque peso demais sobre ombros tão pequenos. Até os 7 anos, 4 horas de treino semanais já está no limite. Dos 7 aos 10 anos, 6 a 8 horas são mais do que suficientes. Nessa fase, dois ou três campeonatos no ano já dão um bom suporte para que os pequenos aprendam o significado da competição. Se passar muito disso, desconfie.

Quais serão os custos?

Manter uma criança ativa num esporte tem seus custos. Além da mensalidade também podem haver os gastos iniciais com uniformes, kimonos, chuteiras, raquetes etc.; e ainda, conforme o tempo passa e o aluno se desenvolve, podem também haver gastos com competições e taxas de federação. É bom estar ciente e analisar todos os custos imediatos e eventuais para que em decorrência de uma pequena crise financeira a criança não acabe sendo forçada a parar a prática repentinamente. Quando elas se apegam a uma atividade elas realmente amam o que fazem, e dependendo da idade é difícil explicar questões de orçamento familiar. 😅

Se na sua cidade há um projeto social mantido pelo governo com mensalidade gratuita, ótimo! Apenas antes de inscrever, certifique-se de que o projeto já tem pelo menos 1 ano funcionando e que não haverá qualquer exigência político-partidária pra que seu filho seja atendido.

Concluindo, praticar um esporte com certeza trará benefícios impagáveis ao seu filho. A melhora no vigor físico, na auto estima, na sociabilidade… Tudo isso vem junto e os frutos são os melhores se tudo for bem assistido por profissionais e pelo apoio e carinho dos pais. Ponderar esses itens pode ajudar a escolher uma prática adequada e assim evitar que a criança fique pulando de galho em galho entre um esporte e outro.

Esses foram os pontos que eu pude destacar com base na minha experiência. Mas é claro que você pode enriquecer esse conteúdo nos dizendo aí embaixo nos comentários o que mais você pensa e quais as suas experiências com seus filhos praticando esportes! Fique à vontade! 🙂

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